Herman SIC
Há muito tempo que deixei de ver o Herman. Sobretudo porque se tornou inofensivo.
O "custo" de se apanhar com cenas tristes e patéticas é muito elevado para o benefício de algum humor de qualidade.
O que sobra é demasiadas vezes a ignorância e o mau gosto. É pena.
Parece que mais uma vez se foi longe de mais na direcção errada.
Lula
Pode ser por ingenuidade, mas Luis Inácio Lula da Silva comove-me. Ouço na TSF aquele pedaço de discurso "... se, ao final do meu mandato, todos os brasileiros tiverem a possibilidade de tomar café da manhã, almoçar e jantar, terei cumprido a missão da minha vida". Não posso deixar de me comover com a simplicidade, com a franqueza destas palavras. E não posso ouvir calado alguns "comentadores" da nossa praça que insistem em fazer passar subliminarmente esta ideia peregrina de que a esperança numa sociedade mais justa é um sinal de mediocridade intelectual.
textos sobre o Fome Zero
4 da manhã.
Recomeço pelo princípio. Homero Odisseia. Se não tivesse ainda a memória de Borges e Calvino talvez não soubesse. Não teria esta certeza de ser aqui que se começa a ler.
Não escrever.
Ainda sobre o post do José Mário Silva. Como eu admiro esta vontade de escrever. Comove-me.
Eu, se pudesse, lia.
A FRASE DO DIA (de ontem):
... já ninguém consegue acompanhar, com a devida atenção , tudo o que se passa de importante neste mundo (a blogosfera) em que a Terra Incognita cresce mais depressa que a nossa capacidade de desenhar novos mapas. Eu tentei pôr-me à la page (horas a fio em frente ao ecrã) e não consegui. Pior, arrependi-me da tentativa inglória. Porque neste momento, há que dizê-lo, ou se lê ou se escreve. E eu quero escrever.
José Mário Silva em blog-de-esquerda
LORELEI
It is no night to drown in:
A full moon, river lapsing
Black beneath bland mirror-sheen
Sylvia Plath
Os Blogues que eu leio
estão listados aqui ao lado.
É uma lista provisória. (Talvez seja mais correcto chamar-lhe dinâmica.)
São referências. A minha geração gosta muito de referências e citações.
Reparo que somos muito criticados por isso.
Não entendem que quando citamos o fazemos por respeito e admiração.
I can give you my loneliness, my darkness, the hunger of my heart;
I am trying to bribe you with uncertainty , with danger, with defeat

Borges, Two English Poems
-.-
;%

k
UNCERTAIN SMILE:
Estive a ler cartas antigas.
Não me lembro de mim. Ainda não.
Li duas cartas da IAS e voltei a a fechar a caixa grande de madeira onde estão guardadas. Por pudor.
De repente era como se estivesse a ler a correspondência de outra pessoa.
Porquê um Blogue? (III)
Por causa da "combustão ser total" e instantânea (como diz o MEC).
E porque é mais fácil de esconder do que o caderno de capa preta.
Porquê um Blogue? (II)
Porque já não tenho moradas para onde enviar cartas.
Porquê um Blogue? (I)
Há já algum tempo que sentia necessidade de voltar a escrever. Para ser completamente honesto o que eu sabia era que necessitava de voltar a ler.
Tento recordar-me. Escrever para quê?
Escreve-se em primeiro lugar à procura de quem nos leia.
(Não consigo deixar de recordar a frase do Martin Amis: "Os escritores são como as putas: querem ser pagos, querem ser amados e têm a nostalgia da respeitabilidade..." - acho que era mais ou menos assim...)
Mas eu não sou um escritor.
A maior parte do que escrevi foi o que me sobrou da leitura.
Porque escrevo então agora antes dos livros que hei-de ler?

MyLifeBits: Nothing is better than the real thing.
A vida não é (completamente) digitalisável. Aceito que os scanners tenham uma neutralidade que a escrita não tem. Porque a escrita se deixa sempre contaminar por alguma ficção (mesmo que inconsciente).
Mas não se trata só de uma questão de honestidade rigorosa das máquinas, nem sequer da disponibilidade de terabytes de "espaço-tempo" virtuais. Nem mesmo da "sensibilidade" das máquinas digitalizadoras (os dpis dos scanners de imagem, por exemplo).
A ciência (Heisenberg, o principio da incerteza) e a Literatura (Borges, Bioy Casares, por exemplo) sabem que o virtual, a representação do real não pode atingir o próprio real. Porque há um momento em que o virtual se aproxima demasiado do real e é engolido.
LIVRO (tentativa de leitura)
Passo as mãos pela capa de um livro. Gostava de escrever que as mãos recordam, mas não é verdade.
Leio: "Canto Primeiro".
Queira o céu que o leitor, tornado audaz e momentaneamente feroz à semelhança do que lê, encontre, sem se desorientar, o seu caminho abrupto e selvagem através dos lodaçais desolados destas páginas sombrias e cheias de veneno; pois que, a não ser que utilize na sua leitura uma lógica rigorosa e uma tensão de espírito pelo menos igual à sua desconfiança, as emanações mortais deste livro irão embeber-lhe a alma, como a água ao açucar.
A advertência faz sobrepôr a cautela ao desejo de ler. Os livros são objectos perigosos.
SEXTO SENTIDO:

Uma amiga (que desconhece a existência deste blogue) escreveu-me esta mensagem.
É uma sorte termos amigos assim.


Obsessão: sessão no rio Ob.

(...)

A arte educa. É por isso que os escritores devem conhecer a vida. Proust é o
melhor exemplo. Não sabia nada da vida. Sequestrou-se voluntariamente;
fechou-se num quarto forrado a cortiça. Caso extremo. Não se pode escrever
em quartos de cortiça. Não se ouve nada.

(...)

Um dia Jo perguntou-lhe: " Tio, como é uma girafa? "
O tio não fazia a mínima ideia da aparência deste animal. Desde os vinte
anos que não se interessava rigorosamente por mais nada a não ser a sua
grande obra, e isto não lhe permitia sair das quatro paredes do seu quarto.

O ELEFANTE, mrozeck


Se te quiseres contextualizar ( palavra estranha fora da documentação
relacionada com o ensino! ), tens mesmo que ler o livro porque eu não te
conto o resto das histórias.


NÃO LER (III):
Percorro a estante devagar. Um livro que me chame.
Se não tivéssemos lido livros, teríamos sido mais felizes?
NÃO LER (II):
Escrevo à procura de uma boa razão para ler?
MOTOR DE BUSCA (II)
Estava à procura de uma velha amiga no Google. Não encontrei nada.
Acabei por ir parar a uma página que é agora o que resta do DN Jovem. Fiquei muito deprimido.

NÃO LER
Há cinco anos que não leio livros. (Eu sei; é um bocadinho mais grave do que comer pipocas na sala de cinema...)
Ainda não percebi bem porque que é que isso aconteceu.
Entender esse processo é uma das tarefas que me proponho cumprir neste blogue.

Borges dizia que a leitura é uma actividade mais nobre que a escrita...

Escrevo.

Primeiro com as palavras dos outros: "tenho muitos, muitos anos e nunca estarei a meio da minha vida".

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