só eu sei porque fico em casa

talvez


o rock in rio fosse quase suportável...

AFTER LONG SILENCE

Speech after long silence; it is right,
All other lovers being estranged or dead,
Unfriendly lamplight hid under its shade,
The curtains drawn upon unfriendly night,
That we descant and yet descant
Upon the supreme theme of Art and Song:
Bodily decrepitude is wisdom; young
We loved each other and were ignorant.

W.B.Yeats, Words For Music Perhaps (1931)

WHEN YOU ARE OLD

When you are old and grey and full of sleep,
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;

How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true,
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face;

And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how Love fled
And paced upon the mountains overhead
And hid his face amid a crowd of stars.

W.B.Yeats, The Rose (1893)

Tudo é sagrado!

Pasolini

Há coisas que só se vivem; ou então, se insistimos em as dizer, é necessário fazê-lo em poesia.

Pier Paolo Pasolini

Pasolini

A poesia é o que resta quando se esquece tudo da história e é tudo o que passa do imaginário para a ordem simbólica da palavra humana. Restituir à história o que não lhe pertence e ao homem o que ainda não é do homem (...)

Jean Duflot,
in Pier Paolo Pasolini - As Últimas Palavras de Um Ímpio


[Em Junho, na Costa do Castelo Filmes: Decameron, Contos de Canterbury, Salo, Mil e Uma Noites.]

dicionário do diabo

é claro que quem escreve tem o direito de fazer o que entender com os seus textos, mas não deixa de ser de certa forma uma traição o modo como o Pedro Mexia encerra (e apaga) o seu Dicionário. Assim, sem aviso, pela calada da noite.

filmes que eu gostava de voltar a ver

sleepless

as mais belas insónias da blogosfera são aqui.

ainda a memória de alice nas cidades

polaroid. a américa. as viagens. o discurso sobre as imagens.
um aparelho de televisão num quarto de hotel.

o diálogo no avião. traum?

estranhos critérios, os do esquecimento. do abandono.

e sobretudo esta certeza inabalável de ser este o filme mais importante do Wenders.
(importante para quem?)

POÉTICA

Estes quantos traços que se parecem com a sombra
(às mãos devemos também a solidão mais implacável)
talvez nem mereçam essa forma de lentidão: a leitura
escrevi-os num jardim onde patos grasnam ao frio
e folhas se despenham atrás do vento

Sobre a terra sem nenhum rumor
um verso é sempre tão pouco
em redor do que se pode observar
tenho medo pois de repente
a tua respiração ficou demasiado perto
da essência instável, dissonante

E isso é tudo o que nos resta

José Tolentino Mendonça, in De Igual para Igual
Assírio & Alvim, 2001

o sangue

querias falar dessa espécie de sangue que são as palavras circulando.

e depois ficaste a pensar que as imagens também são. todas as coisas que partilhamos com os outros. com os amigos.

sangue. família.
os amigos são a família que escolhemos. outro sangue do nosso sangue.

como no filme do pedro costa.

nómada

[...] os nómadas, em sentido geográfico, não são migrantes nem viajantes mas, pelo contrário, aqueles que não se mexem, aqueles que se ligam à estepe, imóveis de grande passo, seguindo uma linha de fuga no mesmo sítio [...]
Gilles Deleuze, Diálogos

eu, que nunca vivi muito tempo afastado mais do que dez quilómetros do local onde nasci, sempre me senti um nómada.
estranho isto de encontrar as palavras que nos explicam o que sempre soubémos, sem o saber.

a imobilidade permite a máxima velocidade.




os triângulos

É preciso multiplicar os lados, quebrar todo e qualquer círculo em benefício dos polígonos.

Gilles Deleuze, Diálogos

alice nas cidades

o modo como se adivinham aqui os próximos filmes de Wenders. sobretudo esse fabuloso Paris Texas.

alice nas cidades - fragmento # 1

o jogo das palavras. traum. traum não serve; só coisas que existem.

filmes que eu gostava de voltar a ver



proposta de exercício: escrever sobre as ruínas da memória de um filme.
Não gosto tanto
de livros
como Mallarmé
parece que gostava
eu não sou um livro
e quando me dizem
gosto muito dos seus livros
gostava de poder dizer
como o poeta Cesariny
olha
eu gostava
é que tu gostasses de mim
os livros não são feitos
de carne e osso
e quando tenho
vontade de chorar
abrir um livro
não me chega
preciso de um abraço
mas graças a Deus
o mundo não é um livro
e o acaso não existe
no entanto gosto muito
de livros
e acredito na Ressurreição
dos livros
e acredito que no Céu
haja bibliotecas
e se possa ler e escrever

Adília Lopes, in Florbela Espanca Espanca
Escrever bem
ou menos bem
não importa
importa
a porta
(a cona
o pão
para a boca)
o resto
são cantigas
de amigo

Adília Lopes, in Sete Rios Entre Campos

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