Borges e eu
Ao outro, a Borges, é que acontecem as coisas. Eu caminho por Buenos Aires e demoro-me, talvez já mecanicamente, na contemplação do arco de um saguão e da cancela; de Borges tenho notícias pelo correio e vejo o seu nome num trio de professores ou num dicionário biográfico. Agradam-me os relógios de areia, os mapas, a tipografia do século XVIII, as etimologias, o sabor do café e a prosa de Stevenson; o outro comunga dessas preferências, mas de um modo vaidoso que as converte em atributos de um actor. Seria exagerado afirmar que a nossa relação é hostil; eu vivo, eu deixo-me viver, para que Borges possa urdir a sua literatura, e essa literatura justifica-me. Não me custa confessar que conseguiu certas páginas válidas, mas essas páginas não me podem salvar, talvez porque o bom já não seja de alguém, nem sequer do outro, mas da linguagem ou da tradição. Quanto ao mais, estou destinado a perder-me definitivamente, e só algum instante de mim poderá sobreviver no outro. Pouco a pouco vou-lhe cedendo tudo, ainda que me conste o seu perverso hábito de falsificar e magnificar. Espinosa entendeu que todas as coisas querem perseverar no seu ser; a pedra eternamente quer ser pedra, e o tigre um tigre. Eu hei-de ficar em Borges, não em mim (se é que sou alguém), mas reconheço-me menos nos seus livros do que em muitos outros ou no laborioso toque de uma viola. Há anos tratei de me livrar dele e passei das mitologias do arrabalde aos jogos com o tempo e com o infinito, mas esses jogos agora são de Borges e terei de imaginar outras coisas. Assim, a minha vida é uma fuga e tudo perco, tudo é do esquecimento ou do outro.
Não sei qual dos dois escreve esta página.
Jorge Luis Borges, O Fazedor (1960)
Ao outro, a Borges, é que acontecem as coisas. Eu caminho por Buenos Aires e demoro-me, talvez já mecanicamente, na contemplação do arco de um saguão e da cancela; de Borges tenho notícias pelo correio e vejo o seu nome num trio de professores ou num dicionário biográfico. Agradam-me os relógios de areia, os mapas, a tipografia do século XVIII, as etimologias, o sabor do café e a prosa de Stevenson; o outro comunga dessas preferências, mas de um modo vaidoso que as converte em atributos de um actor. Seria exagerado afirmar que a nossa relação é hostil; eu vivo, eu deixo-me viver, para que Borges possa urdir a sua literatura, e essa literatura justifica-me. Não me custa confessar que conseguiu certas páginas válidas, mas essas páginas não me podem salvar, talvez porque o bom já não seja de alguém, nem sequer do outro, mas da linguagem ou da tradição. Quanto ao mais, estou destinado a perder-me definitivamente, e só algum instante de mim poderá sobreviver no outro. Pouco a pouco vou-lhe cedendo tudo, ainda que me conste o seu perverso hábito de falsificar e magnificar. Espinosa entendeu que todas as coisas querem perseverar no seu ser; a pedra eternamente quer ser pedra, e o tigre um tigre. Eu hei-de ficar em Borges, não em mim (se é que sou alguém), mas reconheço-me menos nos seus livros do que em muitos outros ou no laborioso toque de uma viola. Há anos tratei de me livrar dele e passei das mitologias do arrabalde aos jogos com o tempo e com o infinito, mas esses jogos agora são de Borges e terei de imaginar outras coisas. Assim, a minha vida é uma fuga e tudo perco, tudo é do esquecimento ou do outro.
Não sei qual dos dois escreve esta página.
Jorge Luis Borges, O Fazedor (1960)
só podemos amar aquilo que, de alguma forma, (re)conhecemos?
breve e ágil gazela uma sombra que se escapa o movimento das folhas numa árvore num livro deixado o princípio do dia a primeira luz um fragmento difuso na superfície de um espelho ou da água o barulho da água a curva do rosto um movimento inesperado das mãos
breve e ágil gazela uma sombra que se escapa o movimento das folhas numa árvore num livro deixado o princípio do dia a primeira luz um fragmento difuso na superfície de um espelho ou da água o barulho da água a curva do rosto um movimento inesperado das mãos
faster speeds, more friends, bigger webs of contact, finding old contacts, blogging...all doesn't mean shit if the underlying content isn't worth sharing or reflecting on.
we are all, i think, faced with so many choices and so much temptation to plug in, post, respond, search, find, share further, etc. that we are also forced to engage in a constant struggle between self and self-sharing and reflection.
Amanda Palmer
we are all, i think, faced with so many choices and so much temptation to plug in, post, respond, search, find, share further, etc. that we are also forced to engage in a constant struggle between self and self-sharing and reflection.
Amanda Palmer
"...there are moments in life when all habitual ideas, rules and relationships are involuntarily re-evaluated. Moments of the highest tension and the greatest attention to life. It is as if you throw yourself wide open, and each new thought, each image that penetrates you, draws after it dozens and hundreds of others, similar and dissimilar. As if the current catches you and only strong muscles are able to withstand the force. These are the moments of maximum self-surrender, of a maximally full and passionate life."
Sergei Paradjanov
Sergei Paradjanov
"You are my great friend but there might be something lacking in your art, and it's that you haven't spent at least a year in Soviet prison. Being in total darkness, hungry, and full of lice, man begins to think differently about the universe, to experience differently the sunlight, life."
[Sergei Paradjanov para Andrei Tarkovsky]
[Sergei Paradjanov para Andrei Tarkovsky]
An artistic image
is one that ensures its own development,
its historical viability.
An image is a grain,
a self-evolving retroactive organism.
It is a symbol of actual life,
as opposed to death.
An image of life, by contrast,
excludes it, or else sees in it
a unique potential
for the affirmation of life.
- Andrey Tarkovsky
is one that ensures its own development,
its historical viability.
An image is a grain,
a self-evolving retroactive organism.
It is a symbol of actual life,
as opposed to death.
An image of life, by contrast,
excludes it, or else sees in it
a unique potential
for the affirmation of life.
- Andrey Tarkovsky
"13 de Setembro.
Entre os sinais que me avisam de que a juventude terminou, o principal é aperceber-me de que a literatura já não me interessa verdadeiramente. Quero dizer que já não abro os livros com aquela viva e ansiosa esperança de coisas espirituais que, apesar de tudo, outrora sentia. leio e quereria ler cada vez mais, mas já não recebo as várias experiências com entusiasmo, já não as fundo num sereno tumulto pré-poético. A mesma coisa acontece-me ao passear por Turim; já não sinto a cidade como um incentivo sentimental e simbólico para a criação. Já está feito, dá-me vontade de responder de cada vez. (...)"
Cesare Pavese, O Ofício de Viver
Entre os sinais que me avisam de que a juventude terminou, o principal é aperceber-me de que a literatura já não me interessa verdadeiramente. Quero dizer que já não abro os livros com aquela viva e ansiosa esperança de coisas espirituais que, apesar de tudo, outrora sentia. leio e quereria ler cada vez mais, mas já não recebo as várias experiências com entusiasmo, já não as fundo num sereno tumulto pré-poético. A mesma coisa acontece-me ao passear por Turim; já não sinto a cidade como um incentivo sentimental e simbólico para a criação. Já está feito, dá-me vontade de responder de cada vez. (...)"
Cesare Pavese, O Ofício de Viver
"(...) descobrir um outro pedaço deste mundo que já conheço em parte, recorrer ao já conhecido como um auxílio nessa descoberta, verificar, numa palavra, quanto é bom e justo o nosso próprio passado. Nunca pretender dar um salto no desconhecido, nem renascer de repente uma manhã. Utilizar as beatas dos cigarros da noite anterior e convencermo-nos de que o tempo - o antes e o depois - é apenas uma ideia fixa. Mas, sobretudo, nunca fazer como a serpente, nunca renegar a nossa própria pele: que coisa possui o homem de seu, de vivido, senão justamente o que já viveu? Mas mantermo-nos em equilíbrio, pois que outra coisa tem o homem para viver, a não ser aquiloque ainda não vive?"
Cesare Pavese, O Ofício de Viver (17 de Fevereiro de 1936)
Cesare Pavese, O Ofício de Viver (17 de Fevereiro de 1936)
"Talvez se esconda em mim um homem muito, muito vulgar. Ou talvez tenha sangue azul. Não sei. Mas uma coisa sei com certeza: serei no futuro um zero à esquerda, um zero muito redondo e encantador. Quando for velho, terei de servir jovens grosseiros, presunçosos e mal-educados, ou serei mendigo, ou morrerei na miséria."
in JACOB VON GUNTEN UM DIÁRIO, de Robert Walser
in JACOB VON GUNTEN UM DIÁRIO, de Robert Walser
Poppies In July
Little poppies, little hell flames,
Do you do no harm?
You flicker. I cannot touch you.
I put my hands among the flames. Nothing burns
And it exhausts me to watch you
Flickering like that, wrinkly and clear red, like the skin of a mouth.
A mouth just bloodied.
Little bloody skirts!
There are fumes I cannot touch.
Where are your opiates, your nauseous capsules?
If I could bleed, or sleep! -
If my mouth could marry a hurt like that!
Or your liquors seep to me, in this glass capsule,
Dulling and stilling.
But colorless. Colorless.
(Sylvia Plath - Ariel)
Do you do no harm?
You flicker. I cannot touch you.
I put my hands among the flames. Nothing burns
And it exhausts me to watch you
Flickering like that, wrinkly and clear red, like the skin of a mouth.
A mouth just bloodied.
Little bloody skirts!
There are fumes I cannot touch.
Where are your opiates, your nauseous capsules?
If I could bleed, or sleep! -
If my mouth could marry a hurt like that!
Or your liquors seep to me, in this glass capsule,
Dulling and stilling.
But colorless. Colorless.
(Sylvia Plath - Ariel)
frame
"é bonito, o silêncio"
de dentro para fora. o plano da nuca.
a mulher à janela. chove.
a chuva está do lado de dentro ou do lado de fora do silêncio?
de dentro para fora. o plano da nuca.
a mulher à janela. chove.
a chuva está do lado de dentro ou do lado de fora do silêncio?
os amigos dissolvem-se lentamente com a chuva
esta teimosia. de insistir na ideia que não se tem que alimentar uma amizade. porque dar de comer à amizade tornaria essa amizade menos bela, menos perfeita.
e se isto for apenas mais uma desculpa, mais um dos infinitos estratagemas da preguiça?
à conta desta ideia peregrina posso ter já perdido todos os meus amigos.
pela erosão do silêncio. escreve: o avanço lento desse manto de esquecimento que se deposita todas as noites sobre as mãos.
e no entanto gosto de todos os meus amigos com a mesma intensidade de sempre.
mesmo os que não sabem que são meus amigos. pessoas até que nunca vi.
gosto mesmo assim e desejo-lhes muitas vezes um bom dia.
assim por exemplo: "um bom dia para ti Cristina."
e se isto for apenas mais uma desculpa, mais um dos infinitos estratagemas da preguiça?
à conta desta ideia peregrina posso ter já perdido todos os meus amigos.
pela erosão do silêncio. escreve: o avanço lento desse manto de esquecimento que se deposita todas as noites sobre as mãos.
e no entanto gosto de todos os meus amigos com a mesma intensidade de sempre.
mesmo os que não sabem que são meus amigos. pessoas até que nunca vi.
gosto mesmo assim e desejo-lhes muitas vezes um bom dia.
assim por exemplo: "um bom dia para ti Cristina."

(...)
But now alone over rocks, mountains
Cast out from thy lovely bosom:
Cruel jealousy! selfish fear!
Self-destroying: how can delight,
Renew in these chains of darkness
Where bones of beasts are strown
On the bleak and snowy mountains
Where bones from the birth are buried
Before they see the light.
Blake, The Book of Ahania
IAS
todos os anos pergunto ao silêncio que fica pelo silêncio que ainda falta entre nós.
quase peguei no telefone. este ano, outra vez.
queria saber de ti, minha amiga.
um bom ano de 2006.
quase peguei no telefone. este ano, outra vez.
queria saber de ti, minha amiga.
um bom ano de 2006.
notas de viagem
" - Nunca está quieto, nunca... Nunca consigo estar muito tempo a ver o mar senão o que acontece em terra deixa de me interessar.
- Às vezes pergunto-me se não é inutil a seriedade que se põe no trabalho. Também não a achas ridícula?
- Acho que tenho os olhos molhados. O que querem que faça com os meus olhos? O que devo ver?
- Tu dizes 'o que devo ver?' Eu digo 'como devo viver?' É a mesma coisa."
in "O Deserto Vermelho", Michelangelo Antonioni
- Às vezes pergunto-me se não é inutil a seriedade que se põe no trabalho. Também não a achas ridícula?
- Acho que tenho os olhos molhados. O que querem que faça com os meus olhos? O que devo ver?
- Tu dizes 'o que devo ver?' Eu digo 'como devo viver?' É a mesma coisa."
in "O Deserto Vermelho", Michelangelo Antonioni
"E assim, porque era Primavera, e porque
eu tinha andado a evitá-la há tanto tempo,
decidi meter-me num buraco
e depois saí para a vasta planície.
Um céu cheio de Outono.
E todas as coisas tremiam
e havia longas sombras azuis.
Eu levava comigo
a fotografia de uma cidade.
Um carro aproximou-se, saído de um filme,
e passou mesmo ao meu lado
de faróis a piscar.
Olá. Desculpe. Pode dizer-me onde estou?
..."
Laurie Anderson
eu tinha andado a evitá-la há tanto tempo,
decidi meter-me num buraco
e depois saí para a vasta planície.
Um céu cheio de Outono.
E todas as coisas tremiam
e havia longas sombras azuis.
Eu levava comigo
a fotografia de uma cidade.
Um carro aproximou-se, saído de um filme,
e passou mesmo ao meu lado
de faróis a piscar.
Olá. Desculpe. Pode dizer-me onde estou?
..."
Laurie Anderson
Escuta-me, pretendíamos apenas estar juntos.
A terra firme sob os pés. Tínhamos deixado os olhos
no átrio crescendo lá em cima. Quase terrestre a
única estrela propagada à manhã do dezembro
marítimo.
A terra era uma vigilância sem fim.
Transbordando
a água ali ainda líquida audível sem limite
passando de um a outro a alegria de coisa simples
cantiga nossa acordando os peixes
os grandes peixes desenhando
barbatanas guelras ora repouso ora movimento.
Escuta-me. Por favor escuta-me. O mar
estava com pequenas ondas.
Bebemos? Coca-cola e cerveja.
Sonhávamos? Com o rosto do sorriso
a vibração de que estando nu existe pela
serenidade de dezembro
terrível graça.
Escuta. Apenas queríamos ver o mar. Éramos cerca
de quarenta e apenas queríamos ver o mar. Ver o mar.
João Miguel Fernandes Jorge
A terra firme sob os pés. Tínhamos deixado os olhos
no átrio crescendo lá em cima. Quase terrestre a
única estrela propagada à manhã do dezembro
marítimo.
A terra era uma vigilância sem fim.
Transbordando
a água ali ainda líquida audível sem limite
passando de um a outro a alegria de coisa simples
cantiga nossa acordando os peixes
os grandes peixes desenhando
barbatanas guelras ora repouso ora movimento.
Escuta-me. Por favor escuta-me. O mar
estava com pequenas ondas.
Bebemos? Coca-cola e cerveja.
Sonhávamos? Com o rosto do sorriso
a vibração de que estando nu existe pela
serenidade de dezembro
terrível graça.
Escuta. Apenas queríamos ver o mar. Éramos cerca
de quarenta e apenas queríamos ver o mar. Ver o mar.
João Miguel Fernandes Jorge
Atmosphere
Walk in silence,
Don't walk away, in silence.
See the danger,
Always danger,
Endless talking,
Life rebuilding,
Don't walk away.
Walk in silence,
Don't turn away, in silence.
Your confusion,
My illusion,
Worn like a mask of self-hate,
Confronts and then dies.
Don't walk away.
Atmosphere, Joy Division
Don't walk away, in silence.
See the danger,
Always danger,
Endless talking,
Life rebuilding,
Don't walk away.
Walk in silence,
Don't turn away, in silence.
Your confusion,
My illusion,
Worn like a mask of self-hate,
Confronts and then dies.
Don't walk away.
Atmosphere, Joy Division
um livro que amanhece
"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e cana, construídas na margem de um rio de águas transparentes que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas ainda não tinham nome e para as mencionar era preciso apontar com o dedo."
in Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez
in Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez
"Senhor, passei um recibo de duzentos escravos, era o que estava combinado com o País livre, mas na realidade o cortejo traz mais de dois mil. Não percebo. A maioria vem toda mal acorrentada e reclama cadeias em altos brados, o que percebo ainda menos, a não ser que queiram assim significar a pressa que têm em participar na honra de remar nas galés de Vossa Magestade."
in Ubu Agrilhoado, Alfred Jarry
in Ubu Agrilhoado, Alfred Jarry
Fall Apart
And if I wake from Dreams
Shall I fall in Pastures
Will I Wake the Darkness
Shall we Torch the Earth?
And if I wake from Dreams
Shall we find the Emptiness
And break the Silence
That will stop our Hearts?
And if I wake from Dreams
Shall we cry Together
For their Howling echoes
And restart the Night?
And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And shall I wake from Dreams
For the Glory of Nothing
For the cracking of the Sun
For the crawling down of Lies?
And if We fall from Dreams
Shall we push them into Darkness
And stare into the Howling
And clamber into Night?
And if I fall from Dreams
All my Prayers are Silenced
To Love is to lose
And to lose is to Die...
And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And why did you say
That we shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And why did you say
That we shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And why did you say
That things shall fall?
Fall Apart, Death in June
Shall I fall in Pastures
Will I Wake the Darkness
Shall we Torch the Earth?
And if I wake from Dreams
Shall we find the Emptiness
And break the Silence
That will stop our Hearts?
And if I wake from Dreams
Shall we cry Together
For their Howling echoes
And restart the Night?
And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And shall I wake from Dreams
For the Glory of Nothing
For the cracking of the Sun
For the crawling down of Lies?
And if We fall from Dreams
Shall we push them into Darkness
And stare into the Howling
And clamber into Night?
And if I fall from Dreams
All my Prayers are Silenced
To Love is to lose
And to lose is to Die...
And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And why did you say
That we shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And why did you say
That we shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And why did you say
That things shall fall?
Fall Apart, Death in June
hoje de manhã quando vinha no carro para o escritório estavam a falar da ante-estreia do filme acerca dos últimos dias de Hitler. de como ele era tão humano. da doença e da degradação. a morte também serve para libertar o mundo da maldade dos homens.
a existência da morte faz-me sentir optimista em relação ao futuro do mundo.
porque nada dura para sempre. é possível mudar. todos os dias nascem homens novos que mudarão o mundo.
a existência da morte faz-me sentir optimista em relação ao futuro do mundo.
porque nada dura para sempre. é possível mudar. todos os dias nascem homens novos que mudarão o mundo.
"é só mostrar o caixilho"

domingo de manhã fui ao pão e comprei "a caixa"
(dvd, 6 euros, iva incluído).
delicioso reencontro com um dos meus filmes preferidos de Manoel de Oliveira.
como se experimenta um par de sapatos
"Quanto mais se envelhece, pensa Bekker, mais se observam os lugares por onde se passa à luz da ideia de que se gostaria de ficar por ali ou de que seria extremamente desagradável ficar por lá. Observam-se os lugares como se experimenta um par de sapatos. Vira-se a cabeça para um panorama interessante, experimenta-se a ver se é confortável ou não, interroga-se uma pessoa sobre se seria melhor, mais macio ou mais áspero, a planície ou uma depressão... o campo ou a cidade."
Botho Strauss, in Rumor
Botho Strauss, in Rumor
de onde não outra vez para onde mover as mãos ou o olhar de onde não outra vez escreves apagas podias dizer as mãos adivinham a proximidade da água o lugar de onde chega a voz não o lugar onde nunca outra vez é uma casa vazia não sabes dizer cair levantar outra vez a solidão também se lê na claridade dos dias nas mãos a proximidade da chuva é tudo o que temos para dar outra vez o lugar onde se lê a solidão a água o lugar coberto pelo céu as nuvens pesadas um dia tudo será claro legível o lugar onde de onde nunca outra vez aqui
não há papel para rasgar
[select all]
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não há papel para rasgar
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How important is philosophy to your writing? Why?
Interviewer: Why don’t you ever work from nature?
Jackson Pollock: I am nature.
Can’t distinguish po from phil. It's like trying to distinguish color from light, or a cat from… the same cat.
Sarah Manguso, entrevista com Lance Phillips
Interviewer: Why don’t you ever work from nature?
Jackson Pollock: I am nature.
Can’t distinguish po from phil. It's like trying to distinguish color from light, or a cat from… the same cat.
Sarah Manguso, entrevista com Lance Phillips
When You Are Old and Grey
When you are old and grey and full of sleep,
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;
How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true,
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face;
And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how Love fled
And paced upon the mountains overhead
And hid his face amid a crowd of stars.
WB Yeats
When you are old and grey and full of sleep,
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;
How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true,
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face;
And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how Love fled
And paced upon the mountains overhead
And hid his face amid a crowd of stars.
WB Yeats
filmes que eu gostava de voltar a ver

My Beautiful Laundrette (1985), Stephen Frears
[Canal Hollywood, 12/03/2005 21:00h]
Eastwood/Tarkovsky
eu até gosto do Clint Eastwood, mas não tanto como do Tarkovsky.
o gosto é fracturante. já ouve um tempo em que era possível para mim dividir o mundo em dois tipos distintos de pessoas: os que não gostavam do filme "O Piano" e os outros.
depois acho que devo ter aprendido a ser um pouco mais tolerante comigo próprio. a isso chama-se amolecer - que é como quem diz, ficar velho.
o gosto é fracturante. já ouve um tempo em que era possível para mim dividir o mundo em dois tipos distintos de pessoas: os que não gostavam do filme "O Piano" e os outros.
depois acho que devo ter aprendido a ser um pouco mais tolerante comigo próprio. a isso chama-se amolecer - que é como quem diz, ficar velho.
What We Miss
Who says it's easy to save a life? In the middle of an interview for the job you might get you see the cat from the window of the seventeenth floor just as he's crossing the street against traffic, just as you're answering a question about your worst character flaw and lying that you are too careful. What if you keep seeing the cat at every moment you are enable to save him? Failure is more like this than like duels and marathons. Everything can be saved, and bad timing prevents it. Every minute, you are answering the question and looking out the window of the church to see your one great love blinded by the glare, crossing the street, alone.
Sarah Manguso
Sarah Manguso
The crematorium is no longer in use. The
devices of the Nazis are out of date. Nine
million dead haunt this landscape. Who is
on the lookout from this strange tower to
warn us of the coming of new executioners?
Are their faces really different from our
own? Somewhere among us, there are lucky
Kapos, reinstated officers, and unknown
informers. There are those who refused to
believe this, or believed it only from
time to time. And there are those of us
who sincerely look upon the ruins today,
as if the old concentration camp monster
were dead and buried beneath them. Those
who pretend to take hope again as the
image fades, as though there were a cure
for the plague of these camps. Those of
us who pretend to believe that all this
happened only once, at a certain time and
in a certain place, and those who refuse
to see, who do not hear the cry to the
end of time.
Jean Cayrol
in "Night and Fog", Alain Resnais
devices of the Nazis are out of date. Nine
million dead haunt this landscape. Who is
on the lookout from this strange tower to
warn us of the coming of new executioners?
Are their faces really different from our
own? Somewhere among us, there are lucky
Kapos, reinstated officers, and unknown
informers. There are those who refused to
believe this, or believed it only from
time to time. And there are those of us
who sincerely look upon the ruins today,
as if the old concentration camp monster
were dead and buried beneath them. Those
who pretend to take hope again as the
image fades, as though there were a cure
for the plague of these camps. Those of
us who pretend to believe that all this
happened only once, at a certain time and
in a certain place, and those who refuse
to see, who do not hear the cry to the
end of time.
Jean Cayrol
in "Night and Fog", Alain Resnais
eh?
Camera move 3
Anyone living love you now, Joe? ... Anyone living sorry for you now? ... That slut that comes on Saturday, you pay her, don't you? ... Penny a hoist tuppence as long as you like ... Watch yourself you don't run short, Joe ... Ever think of that? ... Eh Joe? ... What it'd be if you ran out of us .... Not another soul to still .... Sit there in his stinking old wrapper hearing himself .... That lifelong adorer .... Weaker and weaker till not a gasp left there either .... Is it that you want? ... Well preserved for his age and the silence of the grave .... That old paradise you were always harping on .... No Joe .... Not for the likes of us.
Samuel Beckett, Eh Joe
Anyone living love you now, Joe? ... Anyone living sorry for you now? ... That slut that comes on Saturday, you pay her, don't you? ... Penny a hoist tuppence as long as you like ... Watch yourself you don't run short, Joe ... Ever think of that? ... Eh Joe? ... What it'd be if you ran out of us .... Not another soul to still .... Sit there in his stinking old wrapper hearing himself .... That lifelong adorer .... Weaker and weaker till not a gasp left there either .... Is it that you want? ... Well preserved for his age and the silence of the grave .... That old paradise you were always harping on .... No Joe .... Not for the likes of us.
Samuel Beckett, Eh Joe
OJOS PRIMITIVOS
En donde el miedo no cuenta cuentos y poemas, no forma figuras de terror y de gloria.
Vacío gris es mi nombre, mi pronombre.
Conozco la gama de los miedos y ese comenzar a cantar despacito en el desfiladero que reconduce hacia mi desconocida que soy, mi emigrante de sí.
Escribo contra el miedo. Contra el viento con garras que se aloja en mi respiración.
Y cuando por la mañana temes encontrarte muerta (y que no haya más imágenes): el silencio de la compresión, el silencio del mero estar, en esto se van los años, en esto se fue la bella alegría animal.
Alejandra Pizarnik, El Infierno Musical
Vacío gris es mi nombre, mi pronombre.
Conozco la gama de los miedos y ese comenzar a cantar despacito en el desfiladero que reconduce hacia mi desconocida que soy, mi emigrante de sí.
Escribo contra el miedo. Contra el viento con garras que se aloja en mi respiración.
Y cuando por la mañana temes encontrarte muerta (y que no haya más imágenes): el silencio de la compresión, el silencio del mero estar, en esto se van los años, en esto se fue la bella alegría animal.
Alejandra Pizarnik, El Infierno Musical
LA PALABRA DEL DESEO
esta espectral textura de la oscuridad, esta melodía en los huesos, este soplo de silencios diversos, este ir abajo por abajo, esta galería oscura, este hundirse sin hundirse.
¿Qué estoy diciendo? Está oscuro y quiero entrar. No sé qué más decir. (Yo no quiero decir, yo quiero entrar.) El dolor en los huesos, el lenguaje roto a paladas, poco a poco reconstituir el diagrama de la irrealidad.
Posesiones no tengo (esto es seguro; al fin algo seguro). Luego una melodía. Es una melodía plañidera, una luz lila, una inminencia sin destinatario. Veo la melodía. Presencia de una luz anaranjada. Sin tu mirada no voy a saber vivir, también esto es seguro. Te suscito, te resucito. Y me dijo que saliera al viento y fuera de casa en casa preguntando si estaba.
Paso desnuda con un cirio en la mano, castillo frío, jardín de las delicias. La soledad no es estar parada en el muelle, a la madrugada, mirando el agua con avidez. La soledad es no poder decirla por no poder circundarla por no poder darle un rosto por no poder hacerla sinónimo de un paisaje. La soledad sería esta melodía rota de mis frases.
Alejandra Pizarnik, El Infierno Musical
¿Qué estoy diciendo? Está oscuro y quiero entrar. No sé qué más decir. (Yo no quiero decir, yo quiero entrar.) El dolor en los huesos, el lenguaje roto a paladas, poco a poco reconstituir el diagrama de la irrealidad.
Posesiones no tengo (esto es seguro; al fin algo seguro). Luego una melodía. Es una melodía plañidera, una luz lila, una inminencia sin destinatario. Veo la melodía. Presencia de una luz anaranjada. Sin tu mirada no voy a saber vivir, también esto es seguro. Te suscito, te resucito. Y me dijo que saliera al viento y fuera de casa en casa preguntando si estaba.
Paso desnuda con un cirio en la mano, castillo frío, jardín de las delicias. La soledad no es estar parada en el muelle, a la madrugada, mirando el agua con avidez. La soledad es no poder decirla por no poder circundarla por no poder darle un rosto por no poder hacerla sinónimo de un paisaje. La soledad sería esta melodía rota de mis frases.
Alejandra Pizarnik, El Infierno Musical
EL DESEO DE LA PALABRA
La noche, de nuevo la noche, la magistral sapiencia de lo oscuro, el cálido roce de la muerte, un instante de éxtasis para mí, heredera de todo jardin prohibido.
Pasos y voces del lado sombrío del jardin. Risas en el interior de las paredes.
No vayas a creer que están vivos. No vayas a creer que no están vivos. En cualquier momento la fisura en la pared y el súbito desbandarse de de las niñas que fui.
Caen niñas de papel de variados colores. ¿Hablan los colores? ¿Hablan las imágenes de papel? Solamente hablan las doradas y de ésas no hay ninguna por aquí.
Voy entre muros que se acercan, que se juntan. Toda la noche hasta la aurora salmodiaba: Si no vino porque no vino. Pregunto. ¿A quién? Dice que pregunta, quiere saber a quién pregunta. Tú ya no hablas com nadie.
Extranjera a muerte está muriéndose. Otro es el lenguage de los agonizantes.
He malgastado el don de transfigurar a los prohibidos (los siento respirar adentro de las paredes). Impossible narrar mi día, mi vía. Pero contempla absolutamente sola la desnudez de estos muros. Ninguna flor crece ni crecerá del milagro. A pan y agua toda la vida.
En la cima de la alegría he declarado acerca de una música jamás oída. ¿Y qué? Ojalá pudiera vivir solamente en éxtasis, haciendo el cuerpo del poema con mi cuerpo, rescatando cada frase con mis días y con mis semanas, infundiéndole al poema mi soplo a medida que cada letra de cada palabra haya sido sacrificada en las cerimonias del vivir.
Alejandra Pizarnik, El Infierno Musical
Pasos y voces del lado sombrío del jardin. Risas en el interior de las paredes.
No vayas a creer que están vivos. No vayas a creer que no están vivos. En cualquier momento la fisura en la pared y el súbito desbandarse de de las niñas que fui.
Caen niñas de papel de variados colores. ¿Hablan los colores? ¿Hablan las imágenes de papel? Solamente hablan las doradas y de ésas no hay ninguna por aquí.
Voy entre muros que se acercan, que se juntan. Toda la noche hasta la aurora salmodiaba: Si no vino porque no vino. Pregunto. ¿A quién? Dice que pregunta, quiere saber a quién pregunta. Tú ya no hablas com nadie.
Extranjera a muerte está muriéndose. Otro es el lenguage de los agonizantes.
He malgastado el don de transfigurar a los prohibidos (los siento respirar adentro de las paredes). Impossible narrar mi día, mi vía. Pero contempla absolutamente sola la desnudez de estos muros. Ninguna flor crece ni crecerá del milagro. A pan y agua toda la vida.
En la cima de la alegría he declarado acerca de una música jamás oída. ¿Y qué? Ojalá pudiera vivir solamente en éxtasis, haciendo el cuerpo del poema con mi cuerpo, rescatando cada frase con mis días y con mis semanas, infundiéndole al poema mi soplo a medida que cada letra de cada palabra haya sido sacrificada en las cerimonias del vivir.
Alejandra Pizarnik, El Infierno Musical
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