2007: the sound of girls

Gabriela Kulka
Clare Fader
Bernadette Seacrest
Nicki Jaine
Jill Tracy
Iva Bittová
Amanda Palmer
uma palavra para Fay Grim de Hal Hartley: irrelevante.
Dêem-me carreiros e estendais, passeios em volta e roupa ao vento.

Arsélio Martins, O Lado Esquerdo
Time is a peculiar thing -
the less that you have, the more you begin to feel it
Much like love, the difference is - if we could cross the line
we could be making love, we could be never making anymore time

(it's true)



Gabriela Kulka, "Airlock"
Silence is Sexy

Silence is sexy
Silence is sexy
So sexy
So silence
Silence is sexy
Silence is sexy
So sexy
So sexy
Silence is not sexy at all
L'amusement
Solitude
Die ungesellige Liebe
Die fixe Idee
L'idée fixe
Nur ich & ich & ich & Tinitus
Wenn die Musik endlich aufhört
Ganz von selbst
Silence is sexy
Silence is sexy
So sexy
As sexy as death
Silence is sexy
Silence is sexy
So sexy
So sexy
Just your silence is not sexy at all
Just your silence is not sexy at all
Your silence is not sexy at all!

[Einsturzende Neubauten]
não se escreve. sem a sombra da tarde. as palavras escondem-se e apagam-se devagar enquanto a luz desaparece. depois, é o silêncio de "um blogue semi-morto".
1970 (retrato)

A minha geração já se calou, já se perdeu, já amuou,
já se cansou, desapareceu, ou então casou, ou então mudou,
ou então morreu, já se acabou.

A minha geração de hedonistas e de ateus, de anti-clubistas,
de anarquistas, deprimidos e de artistas e de autistas,
estatelou-se docemente contra o céu.

A minha geração ironizou o coração, alimentou a confusão,
brincou ás mil revoluções amando gestos e protestos e canções
pelo seu estilo controverso.

A minha geração só se comove com excessos, com hecatombes,
com acessos de bruta cólera, de mortes, de misérias, de mentiras,
de reflexos, da sua funda castração.

A minha geração é a herdeira do silêncio,
dos grandes paizinhos do céu,
da indecência, do abuso,
e um belo dia esqueceu tudo e fez-se à vida
na cegueira do comércio.

A minha geração é toda a minha solidão, é a flor da ausência, sonho vão,
aparição, presságio, fogo-de-artifício, toda vício, toda boca,
e pouca coisa na mão.

Vai minha geração, ergue a cabeça e solta os teu filhos no esplendor
do lixo e do descuido, deixa-te ir enquanto o sabor acre de resistência vai corroendo a doçura da sua infância.
Vai minha geração, reage, diz que não é nada assim,
que é um lamentável engano, erro tipográfico, estatística imprecisa, puro
preconceito, que o teu único defeito é ter demasidas
qualidades e tropeçar nelas.
Vai minha geração, explica bem alto a toda a gente que és por demais
inteligente para sujar as mãos neste velho processo, triste traste de Deus,
de fingir que o nosso destino é ser um bocadinho melhor do que antes.
Vai minha geração, nasceste cansada, mimada, doente por tudo e por nada,
com medo de ser inventada, o que é que te falta agora que não te falta nada?
Poderá uma pobre canção contribuir para a tua regeneração
ou só te resta morrer desentegrada?

Mas minha geração, valeu a trapaça, até teve graça,
tanta conversa, tanta utopia tonta, tanto copo,
e a comida estava óptima! O que vamos fazer?


JP Simões, "1970"
A Particularly Vicious Rumor



As if the ocean were a conglomeration of tears from the walrus and other sea creatures, and you were swimming through it at a decent pace, and you never got tired and you never needed to breathe....
a "regularidade mecânica" pode fixar uma memória?
(não existe emoção sem memória)
há algo nos filmes do Bresson que de certa forma me intimida. um desconforto.
olho e não compreendo onde está. leio à procura:

"A emoção nascerá de uma mecânica, do constrangimento a uma regularidade mecânica. Pensar em certos grandes pianistas para o compreender."
[Robert Bresson, "Notas Sobre o Cinematógrafo"]

deve ser por aqui.
Borges e eu

Ao outro, a Borges, é que acontecem as coisas. Eu caminho por Buenos Aires e demoro-me, talvez já mecanicamente, na contemplação do arco de um saguão e da cancela; de Borges tenho notícias pelo correio e vejo o seu nome num trio de professores ou num dicionário biográfico. Agra­dam-me os relógios de areia, os mapas, a tipografia do século XVIII, as etimologias, o sabor do café e a prosa de Stevenson; o outro comunga dessas preferências, mas de um modo vaidoso que as converte em atribu­tos de um actor. Seria exagerado afirmar que a nossa relação é hostil; eu vivo, eu deixo-me viver, para que Borges possa urdir a sua literatura, e essa literatura justifica-me. Não me custa confessar que conseguiu certas páginas válidas, mas essas páginas não me podem salvar, talvez porque o bom já não seja de alguém, nem sequer do outro, mas da linguagem ou da tradição. Quanto ao mais, estou destinado a perder-me definitivamen­te, e só algum instante de mim poderá sobreviver no outro. Pouco a pouco vou-lhe cedendo tudo, ainda que me conste o seu perverso hábito de falsificar e magnificar. Espinosa entendeu que todas as coisas querem perseverar no seu ser; a pedra eternamente quer ser pedra, e o tigre um tigre. Eu hei-de ficar em Borges, não em mim (se é que sou alguém), mas reconheço-me menos nos seus livros do que em muitos outros ou no laborioso toque de uma viola. Há anos tratei de me livrar dele e passei das mitologias do arrabalde aos jogos com o tempo e com o infinito, mas esses jogos agora são de Borges e terei de imaginar outras coisas. Assim, a minha vida é uma fuga e tudo perco, tudo é do esquecimento ou do outro.

Não sei qual dos dois escreve esta página.


Jorge Luis Borges, O Fazedor (1960)
só podemos amar aquilo que, de alguma forma, (re)conhecemos?

breve e ágil gazela uma sombra que se escapa o movimento das folhas numa árvore num livro deixado o princípio do dia a primeira luz um fragmento difuso na superfície de um espelho ou da água o barulho da água a curva do rosto um movimento inesperado das mãos
faster speeds, more friends, bigger webs of contact, finding old contacts, blogging...all doesn't mean shit if the underlying content isn't worth sharing or reflecting on.
we are all, i think, faced with so many choices and so much temptation to plug in, post, respond, search, find, share further, etc. that we are also forced to engage in a constant struggle between self and self-sharing and reflection.


Amanda Palmer

Juventude em Marcha | Pedro Costa (2006)
"...mas antes de tudo coisa bebe uma garrafa dum vinho bom e pensa em mim"

Shadows of Forgotten Ancestors | Sergei Paradjanov
"...there are moments in life when all habitual ideas, rules and relationships are involuntarily re-evaluated. Moments of the highest tension and the greatest attention to life. It is as if you throw yourself wide open, and each new thought, each image that penetrates you, draws after it dozens and hundreds of others, similar and dissimilar. As if the current catches you and only strong muscles are able to withstand the force. These are the moments of maximum self-surrender, of a maximally full and passionate life."

Sergei Paradjanov
"You are my great friend but there might be something lacking in your art, and it's that you haven't spent at least a year in Soviet prison. Being in total darkness, hungry, and full of lice, man begins to think differently about the universe, to experience differently the sunlight, life."

[Sergei Paradjanov para Andrei Tarkovsky]
these days


1999 was the year the Indian Nuclear Satellite went out of control. No one knew where it might land. It soared above the ozone layer like a lethal bird of prey. The whole world was alarmed... Claire couldn't care less.
Cesariny

Quando lhe perguntaram uma vez se não sentia necessidade de escrever, respondeu: "Nenhuma. Para quê? A quem?".
sessão da noite


Jubilee | Derek Jarman
In short, the meaning of art
is the search for God in man.

- Andrey Tarkovsky
.
[Sergei Paradjanov, "Sayat Nova"]
An artistic image
is one that ensures its own development,
its historical viability.
An image is a grain,
a self-evolving retroactive organism.
It is a symbol of actual life,
as opposed to death.
An image of life, by contrast,
excludes it, or else sees in it
a unique potential
for the affirmation of life.

- Andrey Tarkovsky


[Sergei Paradjanov, "Sayat Nova"]
acredite se ler no 1bsk

isto sim é que é serviço público.
e já agora, obrigadinho feira nova.

:)
"13 de Setembro.
Entre os sinais que me avisam de que a juventude terminou, o principal é aperceber-me de que a literatura já não me interessa verdadeiramente. Quero dizer que já não abro os livros com aquela viva e ansiosa esperança de coisas espirituais que, apesar de tudo, outrora sentia. leio e quereria ler cada vez mais, mas já não recebo as várias experiências com entusiasmo, já não as fundo num sereno tumulto pré-poético. A mesma coisa acontece-me ao passear por Turim; já não sinto a cidade como um incentivo sentimental e simbólico para a criação. Já está feito, dá-me vontade de responder de cada vez. (...)"

Cesare Pavese, O Ofício de Viver
"(...) descobrir um outro pedaço deste mundo que já conheço em parte, recorrer ao já conhecido como um auxílio nessa descoberta, verificar, numa palavra, quanto é bom e justo o nosso próprio passado. Nunca pretender dar um salto no desconhecido, nem renascer de repente uma manhã. Utilizar as beatas dos cigarros da noite anterior e convencermo-nos de que o tempo - o antes e o depois - é apenas uma ideia fixa. Mas, sobretudo, nunca fazer como a serpente, nunca renegar a nossa própria pele: que coisa possui o homem de seu, de vivido, senão justamente o que já viveu? Mas mantermo-nos em equilíbrio, pois que outra coisa tem o homem para viver, a não ser aquiloque ainda não vive?"

Cesare Pavese, O Ofício de Viver (17 de Fevereiro de 1936)
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a nossa liberdade é sempre a liberdade que resta ao resto do resto do mundo
não sei se alguém reparou, mas acabei de "deslinkar" o abrupto do Pacheco.
One night as he sat at his table head on hands he saw himself rise and go. One night or day.
"Os segredos permitem antever um encanto quase insuportável, cheiram a qualquer coisa indizivelmente bela."

(Jacob von Gunten)
"Talvez se esconda em mim um homem muito, muito vulgar. Ou talvez tenha sangue azul. Não sei. Mas uma coisa sei com certeza: serei no futuro um zero à esquerda, um zero muito redondo e encantador. Quando for velho, terei de servir jovens grosseiros, presunçosos e mal-educados, ou serei mendigo, ou morrerei na miséria."

in JACOB VON GUNTEN UM DIÁRIO, de Robert Walser
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"This is my life. It always will be. Nothing else...just us. The camera...and those wonderful people out there in the dark. Alright, Mr. Demille, I'm ready for my close-up."

sessão da noite

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Poppies In July

Little poppies, little hell flames,
Do you do no harm?

You flicker. I cannot touch you.
I put my hands among the flames. Nothing burns

And it exhausts me to watch you
Flickering like that, wrinkly and clear red, like the skin of a mouth.

A mouth just bloodied.
Little bloody skirts!

There are fumes I cannot touch.
Where are your opiates, your nauseous capsules?

If I could bleed, or sleep! -
If my mouth could marry a hurt like that!

Or your liquors seep to me, in this glass capsule,
Dulling and stilling.

But colorless. Colorless.


(Sylvia Plath - Ariel)

frame

"é bonito, o silêncio"
de dentro para fora. o plano da nuca.
a mulher à janela. chove.

a chuva está do lado de dentro ou do lado de fora do silêncio?

os amigos dissolvem-se lentamente com a chuva

esta teimosia. de insistir na ideia que não se tem que alimentar uma amizade. porque dar de comer à amizade tornaria essa amizade menos bela, menos perfeita.

e se isto for apenas mais uma desculpa, mais um dos infinitos estratagemas da preguiça?
à conta desta ideia peregrina posso ter já perdido todos os meus amigos.

pela erosão do silêncio. escreve: o avanço lento desse manto de esquecimento que se deposita todas as noites sobre as mãos.

e no entanto gosto de todos os meus amigos com a mesma intensidade de sempre.
mesmo os que não sabem que são meus amigos. pessoas até que nunca vi.
gosto mesmo assim e desejo-lhes muitas vezes um bom dia.

assim por exemplo: "um bom dia para ti Cristina."
"Un acteur est dans le cinématographe comme dans un pays étranger. Il n’en parle pas la langue."

Robert Bresson
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"When will the heart be aweary of beating....?"
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há um idiota à espera?
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(com os habituais agradecimentos à Cinemateca...)
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(...)
But now alone over rocks, mountains
Cast out from thy lovely bosom:
Cruel jealousy! selfish fear!
Self-destroying: how can delight,
Renew in these chains of darkness
Where bones of beasts are strown
On the bleak and snowy mountains
Where bones from the birth are buried
Before they see the light.

Blake, The Book of Ahania

plano para conquistar o mundo

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IAS

todos os anos pergunto ao silêncio que fica pelo silêncio que ainda falta entre nós.
quase peguei no telefone. este ano, outra vez.

queria saber de ti, minha amiga.
um bom ano de 2006.
"Esta manhã acordei, depois de me ter lavado e vestido pareceu-me que de repente era tudo luminoso para mim e que sabia como se deve viver."

(Irina)

in "Três Irmãs", A. Tchekov

notas de viagem

" - Nunca está quieto, nunca... Nunca consigo estar muito tempo a ver o mar senão o que acontece em terra deixa de me interessar.
- Às vezes pergunto-me se não é inutil a seriedade que se põe no trabalho. Também não a achas ridícula?
- Acho que tenho os olhos molhados. O que querem que faça com os meus olhos? O que devo ver?
- Tu dizes 'o que devo ver?' Eu digo 'como devo viver?' É a mesma coisa."

in "O Deserto Vermelho", Michelangelo Antonioni
"E assim, porque era Primavera, e porque
eu tinha andado a evitá-la há tanto tempo,
decidi meter-me num buraco
e depois saí para a vasta planície.
Um céu cheio de Outono.
E todas as coisas tremiam
e havia longas sombras azuis.
Eu levava comigo
a fotografia de uma cidade.
Um carro aproximou-se, saído de um filme,
e passou mesmo ao meu lado
de faróis a piscar.
Olá. Desculpe. Pode dizer-me onde estou?
..."

Laurie Anderson
nunca estive em itália. apetecia-me muito ver agora o deserto vermelho.
- o deserto vermelho é em itália?
acho que não.


podíamos começar a viagem com pasolini, o evangelho.
eu tinha isso gravado... mas acho que o perdi.
- quando é que começámos a perder coisas?
se eu desligar o blog também poupo 32 €?
Metade da minha alma parece respirar melhor do que
outra metade. Para dizer a verdade não sei se
a outra metade respira.


João Miguel Fernandes Jorge, in Invisíveis Correntes
Escuta-me, pretendíamos apenas estar juntos.

A terra firme sob os pés. Tínhamos deixado os olhos
no átrio crescendo lá em cima. Quase terrestre a
única estrela propagada à manhã do dezembro
marítimo.
A terra era uma vigilância sem fim.
Transbordando
a água ali ainda líquida audível sem limite
passando de um a outro a alegria de coisa simples
cantiga nossa acordando os peixes
os grandes peixes desenhando
barbatanas guelras ora repouso ora movimento.

Escuta-me. Por favor escuta-me. O mar
estava com pequenas ondas.

Bebemos? Coca-cola e cerveja.
Sonhávamos? Com o rosto do sorriso
a vibração de que estando nu existe pela
serenidade de dezembro
terrível graça.

Escuta. Apenas queríamos ver o mar. Éramos cerca
de quarenta e apenas queríamos ver o mar. Ver o mar.

João Miguel Fernandes Jorge

filmes (americanos) que eu gostava de voltar a ver

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Karen Sillas & Robert Burke in Hal Hartley's "SIMPLE MEN"
o gelo avança devagar. já parou os pequenos cursos de água.
o silêncio.
não te mexas. respira.

está frio aqui.


se eu disser que as mãos me pedem, todos os dias,
a tua pele

isto é apenas um lugar comum, má poesia?
tenho cada vez mais dificuldade em compreender a importância dos lugares.
podemos ser infelizes em qualquer parte.

Atmosphere

Walk in silence,
Don't walk away, in silence.
See the danger,
Always danger,
Endless talking,
Life rebuilding,
Don't walk away.

Walk in silence,
Don't turn away, in silence.
Your confusion,
My illusion,
Worn like a mask of self-hate,
Confronts and then dies.
Don't walk away.

Atmosphere, Joy Division

um livro que amanhece

"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e cana, construídas na margem de um rio de águas transparentes que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas ainda não tinham nome e para as mencionar era preciso apontar com o dedo."

in Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez

reposição: ciclo Bresson numa parede branca

"Senhor, passei um recibo de duzentos escravos, era o que estava combinado com o País livre, mas na realidade o cortejo traz mais de dois mil. Não percebo. A maioria vem toda mal acorrentada e reclama cadeias em altos brados, o que percebo ainda menos, a não ser que queiram assim significar a pressa que têm em participar na honra de remar nas galés de Vossa Magestade."

in Ubu Agrilhoado, Alfred Jarry
explicar con palabras de este mundo
que partió de mí un barco llevándome

Alejandra Pizarnik, in Árbol de Diana

Fall Apart

And if I wake from Dreams
Shall I fall in Pastures
Will I Wake the Darkness
Shall we Torch the Earth?
And if I wake from Dreams
Shall we find the Emptiness
And break the Silence
That will stop our Hearts?
And if I wake from Dreams
Shall we cry Together
For their Howling echoes
And restart the Night?

And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?

And shall I wake from Dreams
For the Glory of Nothing
For the cracking of the Sun
For the crawling down of Lies?
And if We fall from Dreams
Shall we push them into Darkness
And stare into the Howling
And clamber into Night?

And if I fall from Dreams
All my Prayers are Silenced
To Love is to lose
And to lose is to Die...

And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And why did you say
That we shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And why did you say
That things shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And why did you say
That we shall fall
And fall and fall and fall
And fall apart?
And why did you say
That things shall fall?

Fall Apart, Death in June
hoje de manhã quando vinha no carro para o escritório estavam a falar da ante-estreia do filme acerca dos últimos dias de Hitler. de como ele era tão humano. da doença e da degradação. a morte também serve para libertar o mundo da maldade dos homens.

a existência da morte faz-me sentir optimista em relação ao futuro do mundo.
porque nada dura para sempre. é possível mudar. todos os dias nascem homens novos que mudarão o mundo.
- podíamos ir para a cama, ver um filme na parede...
- ir p'ra cama, ver um filme na parede... é já a seguir. - é que é já... a seguir!

sessão da noite

" -E a história? onde é que vossemecê ia arranjar uma história?"

"é só mostrar o caixilho"

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domingo de manhã fui ao pão e comprei "a caixa"
(dvd, 6 euros, iva incluído).

delicioso reencontro com um dos meus filmes preferidos de Manoel de Oliveira.

como se experimenta um par de sapatos

"Quanto mais se envelhece, pensa Bekker, mais se observam os lugares por onde se passa à luz da ideia de que se gostaria de ficar por ali ou de que seria extremamente desagradável ficar por lá. Observam-se os lugares como se experimenta um par de sapatos. Vira-se a cabeça para um panorama interessante, experimenta-se a ver se é confortável ou não, interroga-se uma pessoa sobre se seria melhor, mais macio ou mais áspero, a planície ou uma depressão... o campo ou a cidade."

Botho Strauss, in Rumor
de onde não outra vez para onde mover as mãos ou o olhar de onde não outra vez escreves apagas podias dizer as mãos adivinham a proximidade da água o lugar de onde chega a voz não o lugar onde nunca outra vez é uma casa vazia não sabes dizer cair levantar outra vez a solidão também se lê na claridade dos dias nas mãos a proximidade da chuva é tudo o que temos para dar outra vez o lugar onde se lê a solidão a água o lugar coberto pelo céu as nuvens pesadas um dia tudo será claro legível o lugar onde de onde nunca outra vez aqui

não há papel para rasgar
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filmes que eu gostava (muito) de voltar a ver

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How important is philosophy to your writing? Why?

Interviewer: Why don’t you ever work from nature?
Jackson Pollock: I am nature.

Can’t distinguish po from phil. It's like trying to distinguish color from light, or a cat from… the same cat.

Sarah Manguso, entrevista com Lance Phillips
When You Are Old and Grey

When you are old and grey and full of sleep,
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;
How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true,
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face;
And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how Love fled
And paced upon the mountains overhead
And hid his face amid a crowd of stars.

WB Yeats
What the lover seeks is the possibility of return, the strange heart beating under every stone.

Sarah Manguso

filmes que eu gostava de voltar a ver

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My Beautiful Laundrette (1985), Stephen Frears

[Canal Hollywood, 12/03/2005 21:00h]

Eastwood/Tarkovsky

eu até gosto do Clint Eastwood, mas não tanto como do Tarkovsky.

o gosto é fracturante. já ouve um tempo em que era possível para mim dividir o mundo em dois tipos distintos de pessoas: os que não gostavam do filme "O Piano" e os outros.

depois acho que devo ter aprendido a ser um pouco mais tolerante comigo próprio. a isso chama-se amolecer - que é como quem diz, ficar velho.

What We Miss

Who says it's easy to save a life? In the middle of an interview for the job you might get you see the cat from the window of the seventeenth floor just as he's crossing the street against traffic, just as you're answering a question about your worst character flaw and lying that you are too careful. What if you keep seeing the cat at every moment you are enable to save him? Failure is more like this than like duels and marathons. Everything can be saved, and bad timing prevents it. Every minute, you are answering the question and looking out the window of the church to see your one great love blinded by the glare, crossing the street, alone.

Sarah Manguso
o melhor a fazer é amá-las.
The crematorium is no longer in use. The
devices of the Nazis are out of date. Nine
million dead haunt this landscape. Who is
on the lookout from this strange tower to
warn us of the coming of new executioners?
Are their faces really different from our
own? Somewhere among us, there are lucky
Kapos, reinstated officers, and unknown
informers. There are those who refused to
believe this, or believed it only from
time to time. And there are those of us
who sincerely look upon the ruins today,
as if the old concentration camp monster
were dead and buried beneath them. Those
who pretend to take hope again as the
image fades, as though there were a cure
for the plague of these camps. Those of
us who pretend to believe that all this
happened only once, at a certain time and
in a certain place, and those who refuse
to see, who do not hear the cry to the
end of time.

Jean Cayrol

in "Night and Fog", Alain Resnais

"Is It in vain that we try to remember?"

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